terça-feira, 9 de agosto de 2011

O encontro com o livro.


Era horário de almoço. Todos os dias os funcionários da empresa são destinados a locais diferentes para o almoço. E eu me dei ao luxo de sair da regra, pagar a refeição e saborear algum item do cardápio do Croasonho Café – em Lajeado.

Ao me acomodar e encontrar outras colegas do jornal, reparei que havia um objeto a mais em cima da mesa do restaurante. Era um livro, que estava entre o portaguardanapos e aquela sugestão rápida para o pedido. Com 146 páginas, a marcação – aquela feita quando se para de ler – estava entre a 28 e a 29.

Pego o “A Favor do Vento”, sem reparar muito na capa e pergunto para as colegas de quem é. Uma delas responde que algum frequentador do lugar deveria tê-lo esquecido. Folheio. Procuro por algum nome e vejo uma mensagem na folha de rosto, ainda sem entender.

Olho detalhadamente a capa, e, em um bilhete colado – que até esse momento eu ignorei – vejo a mensagem “Achei você! Me leva para casa? Sou um presente da Unimed para você”.
O presente é exibido para as colegas, que sorriem e buscam entender o que acontecia.


Prossigo lendo a mensagem: “Acesse algum dos canais da Unimed, listados abaixo, e conte como me encontrou. Depois da leitura, me passe adiante e faça outra pessoa voar. Tenha uma atitude sustentável, ajude a espalhar a cultura e prestigie a 6ª Feira do Livro de Lajeado, de 9 a 14 de agosto, no Parque do Imigrante”.

Pena que meu pedido chegou logo e que tinha esquecido meus óculos na redação. Queria começar a ler instantaneamente.

Para compensar, adicionei uma mensagem ao meu vício: o Twitter. “Achei o livro do patrono da Feira do Livro de Lajeado, Duca Leindecker. Presente da  @UnimedVTRP http://t.co/yD59kCm”. Logo ganhei um RT de uma seguidora, elogiando a obra. Fiquei com mais vontade de ler.

Voltei para a redação do jornal e comecei a contar a história para os outros colegas. Afinal, não é todos os dias que se ganha um livro. E para cumprir o que foi pedido no bilhete, a fila de espera para a leitura desse exemplar já está formada.

As pessoas dizem que nunca mudaremos o mundo. Mas isso acontece com iniciativas como a da Unimed. Essa me animou, por gostar de leitura e por me oportunizar conhecer uma das obras do patrono da Feira do Livro de 2011. E espero que o hábito de outras pessoas mudem com atitudes sustentáveis como essa.

Obrigada UnimedVTRP.
E uma boa leitura, em especial para mim.

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domingo, 31 de julho de 2011

Gestos comuns.

O sorriso e o abraço de saudades marcam o reencontro. O cheiro de cigarro, característico, e as bebidas pelo chão, não surpreendem. Depois daquele tempo cheio de desculpas e da falta de vontade de se encontrarem, ela se pergunta se aquilo acontece.  

“Tu tá bem? Tá vivo? Que saudades”, diz. A noite continua como se fossem íntimos. Histórias envolventes a todo instante. Olhar de confidentes. Confidentes de histórias e sentimentos. Aqueles que não significam a relação deles.  

A cada cinco minutos, uma cerveja sai da geladeira. Uma história também. Um cheiro, um aconchego. Até que o passado foi desenterrado.

- “Por que nunca namoramos?” – pergunta ele.

Ela pensa: “Ora, que pergunta idiota, tu sabes muito bem”. Mas responde:

- Eu era muito grudenta.

- Certo. Provavelmente era isso.

Na verdade o motivo não deveria fazer diferença. A teimosia dos dois fez com que aquilo não acontecesse. Eles se gostavam. Eles se gostam. Mas não têm motivos e nem disposição para confiar um no outro.

O silêncio toma conta. Cervejas continuam sendo abertas para esquecer os problemas. Graves ou nem tanto, cada um tem uma vida, sem poder contar com a ajuda do outro.

É hora de dormir. “Boa noite” são distribuídos como se fossem comuns. Eles pegam no sono. A mente e o corpo não relaxam nem enquanto descansa. Qual é o problema, o rancor, o medo e a angústia?

O dia amanhece. A noite conturbada se identifica com a rapidez ao sair da cama. O cigarro e a bebida o esperam.

A porta serve como escoro. A observação é obrigatória. A torcida para que se importe com algo é constante.

- Estou indo embora. Tem certeza que vai me deixar ir?

O caminho do elevador é sempre curto. Peço que fique bem, que se cuide. E imagino o encontro daqui há anos, para sentir o abraço, matar a saudade, e se sentir à vontade com seus vícios. 

domingo, 24 de julho de 2011

Ao meu lado.

A lembrança está ao meu lado durante todo o dia. A coragem para eliminá-la demora a chegar. Fica o medo de que aqueles dois anos sejam jogados no armário, junto com aquelas coisas sem importância e jogadas fora em época de mudanças de endereço.

Os olhos embaçam, o coração dispara. Ao mesmo tempo em que a tristeza chega rápido para lembrar que não haverá mais momentos felizes, a mente lembra dos já passados. O almoço, as compras no supermercado, a primeira janta, o vinho, o filme, as primeiras palavras. Os inéditos e novos carinhos, o calor, a proximidade. Os primeiros beijos, e aquela noite.

Todas as atitudes surpreendiam. Conhecer e ficar mais próximos eram os passos certos para chegar o dia do pedido, da lâmpada, dos chocolates, do eu te amo. Crescia o apego, o carinho, o desejo. Os sonhos começavam a fazer sentido.

As coisas amadas em comum. A fotografia, as viagens, a culinária, os futuros loirinhos. Coisas que tu aprende a gostar pelo outro. A aviação, o jornalismo. Busca diária de empregos na mesma cidade e de internet para se falar quando se estava longe.

A alegria se manifestava pelas pequenas coisas. Aquelas insignificantes. Tudo era melhor e mais alegre. Nenhum esforço era em vão, como o de dormir juntos na cama de solteiro.

Então, o dia amanheceu cinza. Os rostos começaram a ser estranhos. O que os fazia felizes não tinha mais sentido. As brigas por um fio de cabelo se tornaram comuns. O sorriso não mostrava mais os dentes. Por um erro, perdeu-se a confiança. Eu percebia que por mais que eu tentasse e fizesse de tudo para o sorriso e a felicidade voltarem, era tarde.

A imagem dos nossos pés me lembra que queríamos seguir o mesmo caminho. Que os planos eram feitos para isso. Mesmo assim, vejo que nenhuma coragem será suficiente para esquecer e guardar o que restou ao meu lado, o porta-retrato.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sem tempo.

A população vive cada vez com menos tempo. São raros os momentos em que temos minutos disponíveis para tomar café da manhã, para almoçar com os amigos pouco visitados ou para ir naquele almoço de família no domingo.  

São diversas atividades que nos envolvem e ocupam nosso tempo. O trabalho, para aqueles que querem garantir um bom emprego, um bom cargo e uma boa carreira. Os estudos, pois uma graduação não basta. Especializações, pós-graduações, mestrados, doutorados estão inclusos na lista das pessoas que buscam um futuro promissor, vão para casa somente para descansar e estão felizes com escolhas de como ocupar o seu tempo. 

Eles dividem suas vidas com os colegas de trabalho e poucos sabem o que falar para seus pais, além de problemas graves e notícias extraordinárias como, “vocês irão ser avós”.  Os colegas próximos sabem quais são seus pratos preferidos, as roupas mais usadas, as principais manias e reconhecem aquele olhar de que algo os tirou do sério, interpretação que não ocorre mais com suas famílias. 

As famílias organizam os encontros do Dia das Mães, dos Pais e os Natais com a esperança de que o filho ocupado apareça. Feliz e com novidades. Eles esquecem. Eles precisam trabalhar. Eles não têm tempo. A falta de tempo, que fez você deixar de aproveitar a vida, como sempre sonhou. 

Dizem que não ter tempo é desculpa de desorganizados. Na verdade, todos têm tempo, mas prioridades diferentes. Elas podem definir o término deste texto até o fechamento da edição, ou se haverão outros trabalhos prioritários.  

Aqueles que não têm tempo para tomar café da manhã, optaram por dormir mais e deixar essa refeição de lado. O tempo não é perdido. Ele sempre será aproveitado de alguma maneira. Depende da pessoa, de suas opções, prioridades e da sua vida.  

O tempo vai passar. No fim do ano as pessoas falarão: “já é Natal, de novo. O que eu fiz esse ano?” Optou por não ver o tempo passar. Trabalhou, estudou e sonhou em ter mais oportunidades com a família, fazendo coisas que gostaria de fazer. Optou em ter um tempo para sonhar com isso.  

Não ter tempo é pessoal. Os que nunca o têm, continuarão reclamando de sua falta. Os que conseguem organizá-lo, se queixarão dos que usam isso como desculpa. Ou não. Talvez eles possam aproveitar melhor o seu tempo.  

* Texto publicado no Tema Livre do Jornal A Hora do Vale no dia 14/06/2011

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Uma estranha na praia.


Quando eu era criança e/ou adolescente, praia era a coisa que eu mais amava na vida. Pelo menos eu acho que era, pois eu sonhava com as férias de verão por saber que a família ia de mudança para o litoral. Nunca tive casa na praia. Então, nunca tive vizinhos, amigos, amores de verão e aquela galera da bagunça que sonha o ano inteiro para o verão chegar. Sempre fui pra praias diferentes. Não me importava. Eu ia pra onde meus pais me levavam e o que interessava mesmo era fazer castelinho na areia e tomar banho de mar. 

Depois de algum tempo, quando tomei minha, digamos que, “liberdade” – e isso significa morar sozinha e ser independente financeiramente –, comecei a planejar viagens com amigos e turmas, expressão mais conhecida como galera. Enfim, foram duas idas catastróficas à praia, pois o ritmo e ideia que eu tinha de aproveitar momentos no litoral era completamente diferente. Ou seja, ir à praia com a família é completamente diferente de ir à praia com a “galera”. 

A primeira ida foi para passar o réveillon em Capão da Canoa. Isso era final do ano 2008. Lá na beira-mar, enquanto o povo todo estourava espumantes e as rolhas caíam em cabeças aleatórias, eu desisti de pular as sete ondinhas e só pensei sobre todas as coisas que eu queria que acontecessem em 2009. O dia da virada foi o mais legal. O problema é que a “galera” queria fazer mil coisas ao mesmo tempo, e não parava de falar, de gritar, de agitar. E sempre com uma piadinha. Eu acordava cedo, deixava todos dormindo, e ia caminhar sozinha.

A outra viagem planejada com as gurias foi agora, no último feriado. Fui pro Rosa, em Santa Catarina, pra ver se eu conseguia deixar de ser menos metropolitana, digamos. Um dos meus objetivos era de ficar cinco dias sem “entrar na internet”, já que passo umas 18 horas por dia na web e, confesso, não acho isso legal. E consegui. Cinco dias fora do meu mundo. 

E você deve estar pensando qual é o problema disso tudo. O problema é que ir à praia com a “galera” não é a minha praia, nunca foi a minha rotina de praia. Eu não ia pra noite, não ficava horas na praia, não fazia amizades. Eu não fazia festa 24 horas por dia, que é o que eu percebo que acontece. As pessoas querem curtir, conhecer gente, eeuseilamaisoque. Eu não. Eu quero ir pra praia para descansar, pra ficar na minha, pra fazer o que eu gosto – e eu sei que eu deveria agradar mais ao coletivo, mas eu não consigo ficar 24 horas “ligada na tomada”. 

Aliás, eu fico andando com um protetor solar. Eu voltei mais branca do que fui. Eu não consigo ficar horas queimando ao sol para ficar com uma cor “dourada”. Eu nem tomei banho de mar como eu fazia quando eu era criança – tava frio. Aliás, eu nem sei se eu curto as músicas que tocam na praia – conhecidas como reggae -, e também não curto os surfistas sarados. Eu nem gosto de frutos do mar. 

Acho que eu não amo mais praia como antigamente. Vou comprar uma rede pro apartamento em Porto Alegre e aproveitar com a brisa do Guaíba. Virei metropolitana demais.

domingo, 12 de setembro de 2010

Falar, poder falar, não falar.



Sempre fui uma pessoa que fala muito. Quando pequena conversava pelos cotovelos com meus pais. Gostava muito quando eles me contavam histórias e depois de alguns anos virei uma contadora de histórias. E vocês conhecem crianças. Crianças são verdadeiras, espontâneas, e falam o que querem. Crianças são sinceras. Adultos não.

Crianças não se preocupam com o que vai acontecer a elas se elas forem extremamente sinceras. Normalmente todos as acham fofas, meigas, e até riem das sinceridades-verdades contadas por elas. Adultos pensam antes de falar. Pensam se aquelas palavras trarão consequências graves e ruins para suas vidas.  

Mas, as pessoas têm medo de falar? Ou o medo não é o de falar e sim o medo da interpretação do receptor? Confesso que em menos de dois anos, eu mudei. Bom, todo mundo sempre muda o tempo inteiro, mas eu mudei o que eu pensava sobre falar tudo.

Sempre pensei que tudo que eu fazia ou que acontecia comigo tinha 50% de chances de dar certo e 50% de chances de dar errado. Então, eu metia a cara, falava o que eu queria, fazia o que bem tinha vontade. Eu não tinha medo das coisas darem errado, o que eu realmente esperava era que com essa minha atitude as chances das coisas darem certo poderiam ser bem maiores do que se eu não fizesse nada.

O que acontecia antes era que eu me preocupava comigo, com o meu bem-estar, com a minha vida, com as minhas vontades. E isso de falar o que se tem vontade, e o que realmente se sente mudou. Hoje eu tenho medo de falar. Eu deixo de falar as coisas para não me decepcionar, e principalmente para não decepcionar os outros.

Eu não tenho medo só da decepção. Eu tenho medo de falar e não ser compreendida. Eu tenho medo de falar e pagar mico com algo muito absurdo e fora da realidade  - que eu achava ser real.

Eu sei as consequências de não falar o que eu quero e o que eu sinto, eu só ainda não coloquei tudo na balança pra pesar se é melhor falar ou não falar. E claro, quando você sabe o que os outros pensam e sentem, e sabe que é recíproco, falar não é um problema.

Há um sinal para sabermos a hora certa de falar? Tenho saudades de ser criança e falar. Tenho saudades de não ter que medir palavras, nem atitudes. Tenho saudades de poder ser eu mesma, sempre. 

domingo, 5 de setembro de 2010

Eu não me importo.


Sabe aqueles dias em que as mínimas coisas viram grandes coisas? As pessoas, em geral, costumam realizar tempestades em copos-d’água. Mas, as pequenas coisas não deveriam se tornar grandes coisas. Nada é o fim do mundo, até que ele acabe realmente.

E o que seria a solução para que pequenas coisas não virassem grandes coisas? Eu digo que não se importar seria uma bela solução. O problema dessa hipótese de solução é realmente não se importar. Quem consegue não se importar com nada? Quem consegue não dar bola para nada?

Tirou nota baixa no colégio, faculdade ou em qualquer outro lugar que exija um estudo de ti? Fácil, estude mais. Se ralou estudando e mesmo assim não foi bem? Quem se importa?

As coisas andam bem no trabalho? Não? Teu chefe já olha de cara torta? Quem se importa além de ti? Não consegue tempo pros amigos? Eles irão parar de se importar, logo que cansarem de tentar te ver e tu dizer que não. Ninguém mais vai se importar.

Está doente? A mãe, com certeza é quem mais se importa. Caso tu more longe da mãe, morreu playboy. Praticamente ninguém vai se oferecer pra ir em alguma emergência contigo – ainda mais com as filas intermináveis e o tempo de espera gigantesco dos hospitais para te atender. Ou seja, não se importe. Mais do que morrer, ninguém vai. Eu acho.

Deixou de falar o que devia para alguém especial, que por isso já não é mais tão especial? Ninguém se importa. Ninguém sabia. Deixou de se entregar plenamente com medo do que o outro sente? Quem se importa? O problema é teu. A teimosia também. O orgulho, muito mais.

E agora? Fica aí, sentado, lendo esse texto e esperando que tenha alguma única alma que se importe? Espere sentado. Se depender da importância que tu quer que os outros dêem pra ti, pros teus valores, pros teus sentimentos e pros teus atos... tu não vai viver mais. Só vai se preocupar à toa.

Talvez, eu só queria não me importar. Porque o mal das pessoas é se importarem muito. E se importando muito, criam muitas expectativas. E muitas expectativas serão para sempre só expectativas.

Quer saber? Cansei de me importar com esse texto. Eu definitivamente não quero mais me importar. Quero apenas viver e ser feliz. Pensando bem, quem se importa com o que eu quero?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sonhando com famosos.

Tenho muitos sonhos. Não esses de verdade – esses eu também tenho, mas não é desses que eu estou falando – os que eu me refiro são os de mentira. Aqueles sonhos que as pessoas têm quando dormem. É, pois é. Eu tenho muito desse tipo de sonho, ou melhor, eu me lembro muito desses sonhos.

Já sonhei com muita gente famosa. Já tive sonhos inimagináveis com gente famosa. Deixe-me ver. Em um tempo da minha vida tive uma fase U2. Assistia DVD´s sempre, musiquinhas no mp3, notícias na internet, vídeos no youtube e assim por diante. Depois daquele show que eles fizeram no Brasil – e eu não fui – comecei com o fanatismo.

E de tanto conviver com eles, nos meus sonhos, eles se tornaram meus amigos. Conversava com eles sempre, entrava no camarim, ia fazer compras. Amigos íntimos. Parceiros para a ceva no happy hour. E, por incrível que pareça, o meu preferido não é o Bono Vox, e sim, o The Edge (David Howell Evans). Aliás, já sonhei com isso também.

Lembra quando o Bono chamou a Katilce pra subir ao palco e a moça gruda o vocalista? No meu sonho eu saía correndo em direção ao guitarrista e não saía mais de lá por nada. Talvez eu sonhe isso, por eu saber das mínimas e impossíveis chances de estar ao lado do pessoal do U2. E talvez esse fosse realmente um sonho que eu gostaria que se tornasse realidade – e não aqueles que se realizam quando a gente dorme.

Mas, e explicar para as pessoas que esse fanatismo é platônico? Pois, afinal, a banda não sabe que tu existe e nem sonha nas possibilidades de tu ter sonhado com ela. E todo mundo sabe que tu pode amar o guitarrista, mas que esse amor é amor de fã. Que por mais que tu diga que ame, e tu ama, tu não pode ter uma relacionamento – além do de fã. Poder, tu pode... mas com bandas estrangeiras fica mais difícil, né?! Se eu encontrasse ou fosse sorteada naquelas promoções de passar o dia com seu ídolo, eu nem saberia o que perguntar e o que falar, porque pessoas inconvenientes e sem noção há aos montes.

E essa noite eu tive um sonho. E tenho convicção em dizer que foi sonho de fã. Afinal, eu não conheço o vocalista da banda que sonhei. E eu não sei o por quê do meu inconsciente gostar tanto desse pessoal de bandas. E o garoto/vocalista/saxofonista – e não sei mais o que ele faz da sua vida- viajou comigo pra praia, e foi pro mar, e tomou banho-de-sol, e jantou comigo. Até que, de repente, o meu inconsciente lembrou que ele não me conhecia e fez o personagem dizer que precisava ir embora. E, good bye.

E isso é uma viagem, soa estranho. Pois, nunca falei com ele. Ele nem sabe que eu existo (sabia?). Eu só o vi em fotos, vídeos e em shows... com aquelas suas belas tranças e calças coladas. E suas performances – as danças (pras moças que me conhecem, sabe do que eu estou falando). Eu não tenho foto com ele, nem autógrafo, e muito menos tentei colocar em um potinho as suas gotas de suor, quando ele torce as tranças ao final do show.

E hoje de manhã, quando acordei, coloquei no Twitter. E quando vi, o próprio – é, o vocalista que eu não vou revelar o nome e nem a banda - tinha me respondido, curioso em saber o que eu tinha sonhado. E agora, José? GG meu pai! Meus sonhos não são mais somente com quem eu não posso falar. E foi tão legal esse contato imediato com uma pessoa que tu admira e gostaria de conhecer, mas ao mesmo tempo, não quer dar uma de fã louca e sem noção, que só fala: - Bah, sou tua fã!

Então, acredito que pela admiração, sucesso, carisma, simpatia e outras coisas, meu inconsciente me trouxe o personagem pro sonho. E o sonho rendeu o tweet, e o tweet rendeu um conhecimento, e o conhecimento rendeu um contato. Mas, nem por isso eu vou subir ao palco e dar uma de Katilce.

Dramalhão do Jaiminho – parte 4


Essa história é uma obra de ficção.

Mas Godinez tinha perdido seus pontos positivos com Mônica fazia muito tempo. Ela até que gostaria de vê-lo novamente, mas ela sabia que ele não mudaria em nada para ajudar em um possível relacionamento. Então a garota resolveu ligar para Jaiminho e confirmar o encontro daquela semana.

Jaiminho, ao atender ao telefone, ofegava. Mônica ouvia vozes ao fundo da ligação. Ela começou a achar que o garoto estava em um lugar estranho, em outra festa, com outra garota. E as palavras de Jaimito deixavam Mônica cada vez mais triste, pois ele parecia não estar entusiasmado com o encontro dos dois. Mas, depois de uma breve conversa, eles marcaram o “tal” do encontro.

Um passeio ciclístico. Sim, uma atividade física no sábado, um pouco depois do almoço. Quem guiou e fez o roteiro foi Jaiminho. Ele decidiu os belos lugares para mostrar à Mônica – os que ela ainda não conhecia. E de repente lá, quando já era pôr-do-sol os dois resolveram parar para assistir ao espetáculo. E foi quando acontece a catástrofe: Mônica cai da bicicleta.

Jaime imediatamente deixa seu equipamento para ajudar a garota e ver se ela tinha sofrido algum ferimento. E ela tinha, ela machucou o joelho. Parecia que o nervo tinha saído do lugar e estava todo saltado. Então, a garota se esforçou para conseguir voltar, empurrando a bicicleta e Jaiminho foi deixá-la em um lugar seguro, sua casa.

Ao chegar, Mônica convida Jaiminho para entrar, alegando que seus pais não estavam em casa e seu irmão tinha ido visitar alguns amigos. Jaime fica feliz, e já pensa que finalmente poderá ter um contato mais íntimo com a moça, sem ninguém atrapalhando – música, bebida, bicicleta, telefone – os dois estariam sozinhos.

Mônica não tinha o costume de levar garotos para sua casa, mas como ela gostava muito de Jaiminho, ela não poderia deixar essa chance passar. E os dois foram para a sala, e ficaram conversando. Até que, a moça ouve barulho de chave na porta da frente. E agora? Quem seria? Seu irmão? Seus pais? O que seria pior?

Mônica puxou Jaimito para o quarto, trancou a porta e a partir daí suas opções eram poucas. Como ele iria embora? Ficariam o resto do dia ali trancados? E de repente, o irmão de Mônica bate na porta de seu quarto e pergunta se ela estava bem.

Um alívio, pois não eram seus pais. E sim, seu irmão. Mas fofoqueiro do jeito que sempre foi, contaria na certa se descobrisse que a irmã estava com um garoto “estranho” dentro de casa.

Mônica gritou com o irmão, através da porta e disse que estava tudo bem. E a partir desse momento os dois começaram a passar por momentos de angústia. Sem poder falar, sem poder fazer barulho, sem TV, sem nada e principalmente sem banheiro. É, sem banheiro.

Uma hora depois do início do confinamento no quarto de Mônica, Jaiminho não agüentava mais e precisava muito fazer o número 1. Só que ele não podia sair do quarto. Mônica até ofereceu uma garrafinha pra ele tentar mirar o líquido por lá, ou até sugeriu que ele fosse na janela para fazer suas necessidades. Mas Jaime, envergonhado, não queria.

Deitou na cama e ficou lá, se revirando. Era definitivamente o dramalhão do Jaiminho. Até que ele disse para Mônica que não conseguia mais segurar.

 Fique atento às próximas postagens para saber a continuação do Dramalhão do Jaiminho, e da Mônica.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dramalhão do Jaiminho – parte 3

Essa história é uma obra de ficção.

E após o beijo, as coisas foram se resolvendo. As mágoas, os atrasos, o cigarro, os ex´s, tudo foi esquecido. Aquele tinha sido o super-melhor-maravilhoso beijo de todos os tempos das duas criaturinhas. Estrelinhas apareceram e fogos de artifício estouraram. Agora os dois tinham olhos de apaixonados e realizados. 

Jaiminho tinha deixado sua bicicleta do lado de fora do local do encontro, e ofereceu à Mônica uma carona (de bicicleta) – que romântico. No caminho para casa, Mônica percebeu o quanto Jaimito era legal. 

Ao chegar em frente à casa onde Mônica mora, o rapaz tratou de dar mais um beijo de despedida e perguntar quando poderia encontrar a encantável moça novamente. Mas o que Jaime não sabia, era que Mônica decidiu que nunca teria mais que seis encontros com o mesmo pretendente. E ela distribuía muito bem esses encontros, para que não fossem tornando cada vez mais frequentes e próximos. Sendo assim, o encontro ficou marcado para uma semana depois. 

E durante a semana, as palavras trocadas não foram muitas. E Jaiminho continuou sua saga de compromissos semanais andando de bicicleta. E os rapazes, que moravam com Jaiminho lá no apartamento 24 da República, queriam saber mais detalhes da garota e o que o garoto estava sentindo. E Jaimito declarou que não tinha conseguido esquecer Mônica, e que era uma pena ele não ter encontrado essa garota antes, era uma lástima ela não ter dado aquele beijo logo no início do encontro, pois as coisas seriam melhores. 

- Caras, antes do beijo a guria não parava de falar dos ex´s dela. Até meio que falou que ainda gostava de tal de..., hm.. esqueci o nome dele. Que mina. Só que depois do beijo, senti que ela é uma pessoa maravilhosa. – disse Jaiminho. 

E os amigos dele começaram a questionar se realmente valia a pena ele continuar com essa história já que Mônica não tinha conseguido esquecer os outros. E Jaimito afirmou que ia fazer a garota esquecer todos eles, e também esquecer tudo de ruim que tinha acontecido em seus relacionamentos anteriores. 

E o Godinez? - sim, ele não tem nada a ver com a história, por enquanto. 

Mônica, apesar de ter tido uma afinidade muito grande com Jaimito, lembrou de Godinez. Godinez era muito parecido com o rapaz por quem ela tinha se encantado, só que a guria sabia que não tinham chances, pois Godinez gostava só de dormir e de assistir ao futebol. Ela realmente precisava de alguém que mudasse sua vida e gostasse das mesmas coisas que ela.

E, por coincidência ou destino, Godinez convida a moça para sair com ele justo no dia em que Mônica havia marcado para encontrar Jaiminho. 

E agora? Será que Jaiminho terá um final feliz com Mônica? Será que Godinez – o desaparecido – levará a melhor? Por quem o coração de Mônica bate mais forte? 

Fique atento às próximas postagens para saber a continuação do Dramalhão do Jaiminho, e da Mônica, e do Godinez.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Dramalhão do Jaiminho - parte 2

Essa história é uma obra de ficção.

Jaiminho encontrou pela internet a sua pretendente. Loira, olhos verdes, querida e simpática (assim, tipo eu). E agora, depois de tanto flerte ele queria conhecer ela, a Mônica – e não é aquela dentuça que bate com o coelhinho em todo mundo.

Os dois marcaram de se encontrar em uma festa na cidade de Tangamandápio. Era um lugar meio alternativo que Jaiminho já tinha visitado e onde foi assediado por um gay. Nada contra gays – pelo menos da minha parte – mas o guri gosta mesmo é de mulher. Pelo menos era o que a Moniquinha esperava, némmm.

Mônica chegou na hora marcada ao lugar. Ela não conhecia ninguém e estava morrendo de medo – vai que ele fosse um psicopata e aquele fosse seu último dia de vida. A guria já estava impaciente e com vontade de nunca mais falar com Jaimito. Chego à conclusão de que quem espera no altar hoje é a mulher e não o rapaz. Mas que falta de cavalheirismo Jaiminho!

Mônica já estava desolada. Ela pensava que ele poderia vir a ser o grande amor da vida dela, e a partir daquele momento decidiu que só faria o garoto sofrer em suas mãos. Por isso, fez questão de esperar o guri meio-muito-completamente atrasado. E, finalmente, quase depois de duas horas de atraso, Jaime chega.

Meio intimidados e não sabendo como lidar com a situação do “ao vivo”, Jaiminho, além de perder pontos com a garota devido ao atraso, ainda acende o cigarro e causa mais desencanto. O que poderia ser o maior e melhor romance de todos os tempos vai virando abóbora, e não um conto-de-fadas.

Mas, Mônica queria conhecer um pouco mais do Jaiminho. Conversaram, beberam, dançaram, encontraram os amigos (Chaves, Chiquinha, Kiko), e a loira começa a contar como tinha sido seu último relacionamento. Eu sei que homens não gostam quando as mulheres resolvem falar de seus relacionamentos anteriores, e Mônica não resistiu. Falou de seu ex-namoradoroloficantemarido até Jaime encher o saco e dizer que não suporta mais nem a voz da garota.

A guria ficou ainda mais chateada e decepcionada. Todos os homens que ela tinha encontrado até agora tinham tratado ela sem sentimentos, sem dó nem piedade. Mas, resolveu arriscar. Quem sabe, se ela parasse de falar, até que algo de bom poderia acontecer com os dois. E, finalmente, os dois se beijaram.

Fique atento às próximas postagens para saber a continuação do Dramalhão do Jaiminho.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Dramalhão do Jaiminho – parte 1

Essa história é uma obra de ficção.

Era uma vez um garoto. Ele era loiro, olho verde, magrinho e muito sorridente (o meu tipo favorito). Vou chamá-lo de Jaiminho – não é aquele do seriado Chaves que se esquiva de tudo para evitar a fadiga.

Jaiminho mora em Tangamandápio e tudo de bom e mais legal acontecia na vida desse garoto. Ele tinha muitos amigos, muitas garotas e boas explicações pra tudo. Sempre tem alguém querendo cortar seu pescoço, mas o guri, muito calmo e inteligente arranja uma boa explicação pra se safar de tudo.

Estudante, ele prefere muito mais as festas e os encontros com o pessoal, do que a aula (e quem não). Todos os dias da semana já têm alguma atividade marcada, nem que seja dormir. Todos os amigos o idolatram por ele ser realmente quem ele é, e por ele fazer realmente o que ele quer fazer. Ou seja, se ele quer, ele faz – óoo, parabéns.

Jaiminho, ou então, Jaimito – como seus amigos Mexicanos o chamam – anda de bicicleta. Sim, ele sabe andar e não precisa entregar correspondência. A maioria das vezes que ele sai de casa, ele vai de bike. Para a faculdade, balada, casa da mãe, casa das garotas, parques, shoppings. Ele realmente tem muito fôlego e pernas bem torneadas – ou secas.

O estudante mora no apartamento 24, de uma república de estudantes. Estilo Big Brother, a república twitta em tempo real as curiosidades e tragédias acontecidas por lá. E Jaiminho não é daqueles que fica abandonado, ele está sempre aprontando alguma e é personagem principal do Twitter lá de onde mora.

Vez dessas, ele resolve que quer conhecer uma garota para namorar, já que nunca namorou na vida – lembre-se: solteiro sim, sozinho nunca. Ele até que tentou procurar uma pretendente nas baladas, mas como Jaimito é muito intelectual, ele sempre encontrou garotas fúteis, exibidas e patricinhas. A solução seria procurar alguém online e o problema disso, é a aparência física da pretendente – dificilmente divulgada em primeira conversa na web.

Mas Jaiminho encontrou alguém, e ele nem imaginava a confusão que a garota poderia lhe causar.

Fique atento às próximas postagens para saber a continuação do Dramalhão do Jaiminho.

terça-feira, 16 de março de 2010

Eu mudei? Eis a questão.

Desde que somos crianças nosso corpo passa por uma série de transformações. Todo mundo muda, eu mudei. As mudanças podem ser físicas ou psicológicas. O bebê consegue engatinhar, daqui a algum tempo já está caminhando, falando, bagunçando, tirando as fraldas e saindo de casa. Todos os ambientes em que vivemos contribuem para as mudanças. Pode ser que eu era uma preguiçosa, dorminhoca e que não gostava muito de estudar aos 15 anos (este pode ser está mais para era). Com o passar do tempo, tive que deixar essas mordomias de lado se não, continuaria fazendo nada pelo resto da vida. Logo depois que saí da casa dos meus pais, no interior (Estrela) e vim tentar conquistar minha liberdade na capital gaúcha, eu mudei também. Além de virar uma dona-de-casa, tive que aprender a me virar sozinha em tudo. E depois de muito tempo de mudanças eu percebo que eu não sou mais a mesma. Eu sinto saudades de mim, será que conseguem me entender? Eu sinto saudades da época do cursinho, do pessoal, das festas, dos futebois, dos professores (das aulas nem tanto). Eu mudei. Hoje consigo tranquilamente assistir qualquer programa de televisão, olhar seriados ou algum filme que eu queira muito assistir sozinha. Antigamente nada tinha graça se eu não tinha companhia, e com muita distração, diversão e uma casa bagunçada. Velhos tempos da época dos filmes lá em casa – Tilá, Bruna, Tiago, Dudu, Mateus, Masa, Dani, Nathi, Zé, Tom e outros. Parando para pensar seriamente, será que fui eu quem mudou ou as circunstâncias que me mudaram? Porque, afinal, não sou mais uma adolescente que faz de tudo para aproveitar a vida. Penso muito no meu futuro profissional, e quero mostrar para as pessoas com quem trabalho que realmente sou fantástica no que faço (e convencida) – risos. Afinal, deixei de ser estagiária. Último semestre na faculdade, assunto sério. Terminar o TCC e dedicar menos tempo ao lazer – pelo menos por enquanto. E os homens... ah, os homens. Esses sim que me fizeram mudar. Mudar a visão de que um dia encontraria um príncipe encantado. Pros homens a gente precisa mudar e ao mesmo tempo não precisa. Esses seres inexplicáveis e evaporáveis. Aprendi que não adianta se importar, nem ter ciúmes, porque as pessoas não serão fieis a ti por causa disso. Eu mudei. Estou mais velha – não porque eu quis. Aprendi a me virar sozinha, gostar de fazer coisas sozinha, estar sozinha. Será que eu aprendi a ser egoísta ou eu simplesmente mudei?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Se foi 2009, já chegou 2010.

Eu sei, 2010 já está a mil pelo Brasil e eu nem pensei em fazer uma retrospectiva de 2009. Na verdade, acho que retrospectivas não são muito produtivas. Eu prefiro acreditar nas coisas boas que fiz no ano passado e não me arrepender das coisas que eu não fiz. O primeiro texto do blog demorou pra sair, isso eu também sei. O “Minha Crônica Vida” está desde novembro sem receber um postzinho, e sinto que não posso abandoná-lo. Afinal, analisando um pouco do blog de 2009, ganhei vários e diversos leitores. Fico feliz de agradar aos meus amigos mais próximos, minha família, e até aqueles anônimos que de vez em quando dão uma passada por aqui. Comecei 2010 sem promessas, sem pular as sete ondinhas, sem tomar espumante, sem lentilha, sem uvas. Quase perdi os fogos da bela Ilha da Magia, devido às filas -conhecidas como engarrafamento aqui no Rio Grande. Não guardei as sementes na carteira e também não usei calcinha amarela pra ganhar na mega-sena. Eu quero um 2010 de realizações profissionais, mas não fiz promessas pra conseguir. Acredito muito mais no meu trabalho do que nessas coisas psicológicas. Nada contra quem acredita em santos, e nessas ondinhas. Saúde, paz, amor, amizades, tranquilidade. Eu quero qualidade de vida, aproveitando todos os momentos. Quero pensar mais no agora do que no amanhã – mesmo sabendo que algumas coisas de rotina eu preciso realizar, e não tenho escapatória. Afinal, esse ano acontecerá as Bodas de Prata dos meus pais. Fato único ultimamente, onde as pessoas estão procurando cada vez menos relações estáveis. E será minha formatura, e aniversário importantíssimo do meu pai. Mas, também será o ano de catástrofes, como, dividir o apartamento com meu irmão. Eu criei expectativas, e quero me autosurpreender a cada situação inusitada, objetivo alcançado, crise superada. Quero ser uma pessoa mais tranquila, mais feliz. Quero aproveitar as amizades, conhecer mais restaurantes-bares, viajar e conhecer o mundo – sei que não vai ser possível conhecer tudo só em 2010mas tentatei. Também quero cuidar da minha saúde, rir, ler mais livros, ver mais filmes, entre outras coisas boas que eu esteja com vontade. Quero que todos amigos, conhecidos, semiconhecidos, desconhecidos e anônimos tenham um ótimo ano e que continuem acessando meus belos-feios-estranhos-legais-interessantes-ruins textos. E, isso acabou sendo uma perspectiva e várias promessas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Abre a porta Mariquinha.

Sempre tive sorte com porteiros: ou são muito chatos, ou são legais. Até tem alguns que de tão legais começam a se encaixar no grupo dos chatos.

Outra coisa que os porteiros podem ser é: entediados. Moro em um prédio que tem porteiro faz três anos e eles pedem demissão e são admitidos tantas vezes quanto troco de roupa. Nunca vi.

Nesses três anos já ouvi várias pérolas. Já que porteiro não tem muito o que fazer, além de abrir e fechar a porta, e chamar por interfone os moradores, atender tele entrega, eles devem passar o dia inteiro pensando muitas coisas. Uma, por exemplo, é que tipo de assunto eles poderiam puxar contigo quando tu passar pela portaria.

O ruim de porteiro puxar assunto (bom pra eles que ficam mais ocupados), é que ocupa teu tempo. Na verdade, o que eu mais quero quando chego em casa é entrar o elevador e fazer qualquercoisaqueeuquiser em casa. E quando eu coloco o pé aqui, o porteiro vem puxar assunto.

Acredito que com o passar do tempo os porteiros fiquem mais curiosos e fofoqueiros. Bom, pelo menos se o porteiro falar de mim por aqui, a única que eu conheço é a síndica. Não tem muito pra quem espalhar o que eu faço, ou deixo de fazer, e quem freqüenta meu apartamento.

Mas eu tenho o meu porteiro favorito. Ele trabalhava aqui desde quando me mudei. Fechou três anos que eu via ele todas as noites. Disse que ia sair de férias e nunca mais voltou. O papo dele era estranho. Desenhava no paint, e sempre achava um apelido pra qualquer um. Um dia, quando tava passando o filme As branquelas, na Globo, ele disse que eu parecia uma delas (eu mereço). Ah, e como meu sobrenome é Bechert, e ele não sabia pronunciar, saía espalhando pros vizinhos que eu era prima do David Beckham. Bem que eu podia ser esposa dele, e não prima (#comentário tarada da vez).

Mas, o mais incrível é que eles sabem tudo da tua vida sem nem mesmo perguntar. Eles sabem quando tu namora e quando não. Quando está de rolo, de ressaca, cansado, triste, feliz, elétrico. Não precisa trocar uma palavra. É só um oi e já basta pra ele saber se pode ou não fazer piadinha (legal ou sem graça) naquele dia.

Bom, eu sei que eles são prestativos, mas são curiosos. Essa semana mesmo, um deles, gentil, carregou minhas sacolas do super e aproveitou pra fazer um comentário sobre as compras. Sim, esse é uma figura... todos devem adorar ele por aqui.

Tenho um problema grave: nunca sei nome de porteiro nenhum, e não me preocupo muito com isso. Afinal, cada dia é um diferente. Eles até dizem que o garoto que mora comigo é meu irmão. Eu nunca disse que não, vai que seria difícil eles entenderem minha explicação.

Mas, uma vez fui em uma festa, com a minha prima. A festa estava ruim e decidimos volta pra casa pelas duas da matina. Resolvemos ficar na portaria conversando com a alma da portaria, já que ir pra casa dormir era muito triste. Infelizmente foi um monólogo e eu quase dormi na cadeirinha.

Bom, já chamaram ficante meu com o nome do meu ex, já perguntaram quantas pessoas jantariam aqui por causa da pizza que tava chegando, já pararam com a porta do elevador aberta por mais de dez minutos pra bater papo, já disseram pra acompanhantes, que o último tinha saído degolado/enforcado daqui (nãomerecordomuitobem).

No fundo, no fundo mesmo, quando eu me sinto sozinha, sem ninguém pra conversar, eu penso em ir até a portaria falar um pouco.

Penso, logo desisto.