O sorriso e o abraço de saudades marcam o reencontro. O cheiro de cigarro, característico, e as bebidas pelo chão, não surpreendem. Depois daquele tempo cheio de desculpas e da falta de vontade de se encontrarem, ela se pergunta se aquilo acontece.
“Tu tá bem? Tá vivo? Que saudades”, diz. A noite continua como se fossem íntimos. Histórias envolventes a todo instante. Olhar de confidentes. Confidentes de histórias e sentimentos. Aqueles que não significam a relação deles.
A cada cinco minutos, uma cerveja sai da geladeira. Uma história também. Um cheiro, um aconchego. Até que o passado foi desenterrado.
- “Por que nunca namoramos?” – pergunta ele.
Ela pensa: “Ora, que pergunta idiota, tu sabes muito bem”. Mas responde:
- Eu era muito grudenta.
- Certo. Provavelmente era isso.
Na verdade o motivo não deveria fazer diferença. A teimosia dos dois fez com que aquilo não acontecesse. Eles se gostavam. Eles se gostam. Mas não têm motivos e nem disposição para confiar um no outro.
O silêncio toma conta. Cervejas continuam sendo abertas para esquecer os problemas. Graves ou nem tanto, cada um tem uma vida, sem poder contar com a ajuda do outro.
É hora de dormir. “Boa noite” são distribuídos como se fossem comuns. Eles pegam no sono. Tempos depois, aquele braço pesado bate como se não houvesse pessoa ao lado. Pernas são chutadas. A diagonal da cama está ocupada como se não houvesse companhia.
Os olhos abrem. O pavor bate. “Como dormir?” O pesadelo toma conta. A força no corpo enquanto dorme não tem fim. Fica difícil realizar qualquer movimento. As pernas e os braços não param.
A coberta fica entre os dois. Parece que o ódio toma conta. A mente e o corpo não relaxam nem enquanto descansa. Qual é o problema, o rancor, o medo e a angústia?
O dia amanhece. A noite conturbada se identifica com a rapidez ao sair da cama. O cigarro e a bebida o esperam.
A porta serve como escoro. A observação é obrigatória. A torcida para que se importe com algo é constante.
- Estou indo embora. Tem certeza que vai me deixar ir?
O caminho do elevador é sempre curto. Peço que fique bem, que se cuide. E imagino o encontro daqui há anos, para sentir o abraço, matar a saudade, e se sentir à vontade com seus vícios.
Intrigante como ele ainda continua um grosso!
ResponderExcluire cabeçudo...
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